Praticar Yoga é descobrir fortalecer sua própria identidade.É identificar-se consigo mesmo.Pensar com sua própria cabeça e observar o mundo por sua própria e única perspectiva.É quebrar e romper barreiras sociais.É também ser livre para agir .É mudar .
Enfim , é revelar a perfeição que existe nato em nós.
Yoga não é teoria , é pura realização.

Olá visitantes

Comece lendo esse blog de baixo para cima
primeiro o Sámkhya e depois os sútras de Pátañjali .
Os sútras estão primeiro na sua lingua original (sânscrito ) acompanhado das traduçôes de George Feuerstein e Mestre DeRose .Em seguida em alguns sútras comentários de George Feuerstein e comentarios meus
Espero que seja de grande utilidade para aqueles que buscam a verdade e a compreensão da sua existencia.

terça-feira, julho 21, 2009

Sámkhya - 1 de Agosto ( sábado) às 14h

Filosofia Samkhya
Por Joseph Le Page


Era uma vez um planeta chamado Purusha. Pode-se dizer que Purusha era um lugar perfeito, onde todos viviam felizes. Lá não havia tempo nem espaço e todos os habitantes sentiam-se absolutamente completos. O único problema do Planeta Purusha era que lá não havia espelho algum, e sem espelhos, os habitantes desse planeta não podiam ver a si mesmos e nem conhecer a si mesmos, porque em Purusha não havia a noção de separação um do “outro”.
Um dia, os habitantes do Planeta Purusha ouviram falar de um planeta distante chamado Prakriti, onde era possível conhecer a si mesmo em um mundo de dualidade, vivendo como um ser individual, cada um com sua própria identidade.
Este mundo de dualidade poderia ser percebido através dos cinco sentidos: audição, tato, visão, paladar e olfato. Ao visitar Prakriti, os cidadãos de Purusha poderiam continuar sentindo toda paz e alegria, e ao mesmo tempo também conhecer a si mesmos. Após essa jornada de investigação e aprendizagem, retornariam para casa mais conscientes de sua identidade real – cidadãos do Planeta Purusha.
Para viajar para o Planeta Prakriti, o povo de Purusha precisava de aeronaves especiais que pudessem resistir à atmosfera de Prakriti. Então, construíram aeronaves dos mesmos cinco elementos que compunham o Planeta Prakriti: terra, água, fogo, ar e espaço.
Cada aeronave foi construída artesanalmente, com características particulares que seguiam três modelos básicos chamados Vata, Pitta e Kapha.
As aeronaves Kapha eram densas e sólidas; as aeronaves Pitta eram possantes e perfeitas; e as aeronaves Vata eram leves e rápidas.
Cada aeronave era constituída de três componentes básicos: a estrutura da nave em si chamava-se corpo físico, o piloto responsável por dirigir a nave chamava-se mente, e o passageiro principal chamava-se alma, o espírito que leva consigo a essência da felicidade e completude do Planeta Purusha.
A ida para o Planeta Prakriti e a volta para Planeta Purusha seria possível somente através da integração completa de Corpo, Mente e Espírito.
Antes de sair para a jornada ao Planeta Prakriti, os habitantes do Planeta Purusha instalaram uma potente antena transmissora para que eles pudessem sempre manter contato com seu Planeta. Essa antena chamava-se Mahat, que significa “o Grande”. Cada aeronave tinha também um computador de bordo super-inteligente, chamado Buddhi, que quer dizer inteligência suprema, para garantir que o piloto da nave sempre tivesse em contato com o Planeta Purusha.
Todas as aeronaves partiram de Purusha ao mesmo tempo, mas cada uma teve sua trajetória única. As aeronaves Kapha, pesadas e lentas, seguiram a viagem em um ritmo constante. As aeronaves Pitta, concebidas para ter um desempenho perfeito, às vezes perdiam tempo em detalhes desnecessários. As aeronaves Vata fizeram a viagem mais emocionante, explorando diferentes universos e planetas, mas muitas vezes esqueciam onde tinham deixado as chaves e perdiam muito tempo procurando. Mas no fim da viagem, todas as aeronaves chegaram ao Planeta Prakriti ao mesmo tempo.
Ao se aproximarem de Prakriti, os pilotos prepararam os equipamentos e as ferramentas necessárias para a tão esperada temporada de exploração. Um conjunto de equipamentos chamado de jnanaendriyas servia para receber informações no Planeta Prakriti. Jnanaendriya quer dizer ferramentas para obter conhecimento no idioma do Planeta Purusha, chamado sânscrito. Os jnanaendriyas constituem os cinco sentidos: audição, visão, olfato, paladar e tato. Havia também equipamentos chamados karmendriyas, que permitiam que cidadãos de Purusha pudessem executar ações no Planeta Prakriti, tais como falar, se movimentar, pegar objetos, eliminar resíduos da nave, e até mesmo procriar novas “naves-bebês”. Com todos estes equipamentos, nada poderia atrapalhar a viagem de investigação e autoconhecimento no Planeta Prakriti.
Ao chegarem na atmosfera do Planeta Prakriti, as naves atravessaram uma série de tempestades inesperadas, repletas de turbulência, chamadas tempestades rajas, que quer dizer forte turbulência. Também atravessaram intervalos de calmaria, chamados tamas, onde nada se movia. Esses ciclos de rajas e tamas eram intercalados com breves momentos de equilíbrio perfeito chamados sattva, quando a viagem fluía bem, sem qualquer esforço.
Todas as aeronaves finalmente aterrissaram no Planeta Prakriti, mas a viagem foi muito estressante. A maioria dos pilotos ficou com amnésia crônica, esquecendo sua missão original de exploração e autoconhecimento. Esses pilotos ficaram deslumbrados com as experiências do Planeta Prakriti, não mais se lem-brando de sua identidade original como cidadãos do Planeta Pususha. Os sistemas de comunicação inteligentes, buddhi, ficaram enferrujados por falta de uso, e sem buddhi funcionando adequadamente, os pilotos perderam contato com a Grande Antena Mahat, e consequentemente com o Planeta Purusha.
Com o passar do tempo, os cidadãos de Purusha passaram a acreditar que eram cidadãos do Planeta Prakriti, com personalidades próprias. Passaram a pensar que estavam em Prakriti apenas para desfrutar das vitrines dos diversos shoppings, andando em círculos, consumindo combustível e reproduzindo navezinhas. Esta condição de amnésia se chamava de avidya e este círculo vicioso de avidya denominava-se samsara.
No entanto, alguns poucos pilotos continuavam se lembrando da sua verdadeira cidadania e missão. Eles eram chamados de Rishis ou videntes e tinham a capacidade de ajudar os pilotos-esquecidos a saírem do padrão de tráfego circular do Planeta Prakriti e voltarem a se reconhecer como cidadãos do Planeta Purusha. Aqueles que decidiram retornar à sua identidade original precisavam primeiro consertar suas naves devido ao estresse crônico que sofreram com o uso excessivo dos jnanaendriyas e karmendriyas.
Os reparos eram realizados em oficinas que utilizavam uma ciência chamada Ayurveda, especializada em reequilibrar os cinco elementos, matéria-prima das naves. Às vezes, os sistemas das naves estavam tão entupidos e desequilibrados que ti-nham que passar por um serviço de limpeza completo chamado Panchakarma. Depois das naves terem passado por esse tratamento completo, sentiram a necessidade de ter em mãos um manual de instruções que os guiasse no caminho de volta à Purusha. Um dos mais conhecidos e eficientes manuais de retorno foi aquele compilado por um sábio chamado Patanjali. O nome do manual chamava-se Ashtanga Yoga, um manual que continha os Oito Passos de retorno à Purusha, descritos a seguir:
Os dois primeiros passos, Yama e Ni-yama, descreviam como os pilotos deveriam se comportar na viagem de volta.
O terceiro passo, chamado Asana, era necessário para assegurar que as estruturas das aeronaves permaneceriam estáveis e firmes para que a viagem fosse confortável e segura.
O quarto passo, Pranayama, dava as instruções sobre o adequado abastecimento e distribuição de energia durante a viagem.
O quinto passo, Pratyahara, consistia em remover a atenção dos pilotos de todas as distrações do Planeta Prakriti, para que pudessem se concentrar na missão de volta ao Planeta Purusha.
O sexto passo, Dharana, estabelecia uma direção certa e contínua, rumo ao Planeta Purusha.
O sétimo passo, Dhyana, ou meditação, descrevia um estado ideal de vôo no qual todos os sistemas das naves (corpo, mente e espírito) estariam funcionando de forma integrada, guiados por Buddhi, em contato cons-tante com Mahat, mantendo de forma contínua uma comunicação clara com Purusha.
Através deste Manual dos Oito Passos de Patanjali, muitas naves puderam voltar para casa, e quando chegaram, reassumiram sua verdadeira identidade como cidadãos do Planeta Purusha, retornando para um estado de perfeita união, chamado Samadhi, o último passo.
Ao voltarem, no entanto, os cidadãos de Purusha já não eram mais os mesmos de quando haviam partido. Agora, esses cidadãos de Purusha possuíam a experiência do espelho do autoconhecimento. Eles conheceram o Planeta Prakriti, o mundo da dualidade, e então, retornando ao Planeta Purusha, tornaram-se plenamente conscientes de sua natureza intrínseca de paz e completude.
O aprendizado mais profundo dessa viagem, que é a jornada de todos aqueles que trilham o caminho do Yoga, é que Purusha e Prakriti são, na realidade, um só planeta, e que nós podemos viver a vida em estado de Purusha em meio ao mundo de Prakriti.
CURSO DE SÁMKHYA 25 DE JULHO AS 14 HORAS
Sámkhya e Yoga são tidos como dois aspectos de uma única tradição, a mais antiga e sólida de toda a miríade de sistemas filosóficos que afloraram ao longo da história da Índia. É de extrema utilidade ao praticante de Yoga familiarizar-se com a fundamentação teórica dos exercícios, pois assim terá maior liberdade para adaptá-los às suas necessidades pessoais, ao invés de seguir mecanicamente fórmulas pré-estabelecidas. Embora a natureza do Sámkhya seja fundamentalmente especulativa, o curso está voltado para a aplicação prática e imediata das teorias, para que o praticante possa, por si mesmo, atestar sua validade.


Tópicos:

Definições e conceituação
Gunas e sua cromodinâmica
Tattvas
Karma
Vásana e Samskára

VALOR DO CURSO 35REAIS
Alunos :20,00
Ministrante Talles Menegon

terça-feira, julho 07, 2009

AS BASES DA MEDICINA AYURVEDA dia 17/07 sexta feira

O que é Ayurveda?

Ayurveda é o nome dado à "ciência" médica desenvolvida na Índia há cerca de 7 mil anos, o que faz dela um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade. Ayurveda significa, em sânscrito, Ciência (veda) da vida (ayur). Continua a ser a medicina oficial na Índia e tem-se difundido por todo o mundo como uma técnica eficaz de medicina tradicional.

A medicina ayurvédica é conhecida como a mãe da medicina, pois seus princípios e estudos foram a base para, posteriormente, o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, árabe, romana e grega. Houve um intercâmbio de informações com o Japão, que tinha a mesma necessidade dos indianos: criar uma medicina barata para atender às suas populações muito pobres e gigantescas, por essa razão existe muito da medicina japonesa nos conceitos de ayurvédica. As duas desenvolveram técnicas muito eficientes e de baixo custo para o tratamento.

A doença, para a Ayurveda, é muito mais que a manifestação de sintomas desagradáveis ou perigosos à manutenção da vida. A Ayurveda, como ciência integral, considera que a doença inicia-se muito antes de chegar à fase em que ela finalmente pode ser percebida. Assim, pequenos desequilíbrios tendem a aumentar com o passar do tempo, se não forem corrigidos, originando a enfermidade muito antes de podermos percebê-la.

A Ayurveda pode ser encarada, então, como uma ferramenta para manter ou re-estabelecer a vida em equilíbrio.


Tópicos centrais do curso

Cinco elementos da Ayurveda.
Os Doshas: Vata, Pitta e Kapha.
Prakriti e Vikriti.
Doenças na visão da medicina Ayurveda.


Ministrante

Larissa Berto Peratelli
Naturóloga pela UNISUL

segunda-feira, julho 06, 2009

O inconsciente -


Na literatura sânscrita não há nenhum termo que traduza a palavra "inconsciente”, porém, nela aparecem muitos termos que só podem ser compreendidos supondo-se uma concepção de inconsciente. Poderíamos sem exagero dizer que o inconsciente é uma invenção hindu, basta vermos a importância que possui no Yoga seus termos similares.

Samskáras (impressões)
Os processos mentais deixam na mente impressões subconscientes, que Pátañjali chama de samskáras. Essas impressões permanecem na mente de modo latente, influenciando a vida psíquica, são os que o Yoga chama também de "sementes” (bíja), que produzem “tendências” (vásaná), novos pensamentos, redemoinhos mentais (vrttis). Cabe ao praticante de Yoga impedir o surgimento dos sámskáras e destruir as impressões e tendências que buscam atualizações,
Quando uma "tendência ou impressão se atualiza,transforma-se em hábito e se aprofunda com samskára. Se tal hábito não é superado, suprimido ou sublimado. ele se transformará em vício, implicará pelo menos a dependência psíquica e a compulsão ao ato repetitivo.
Para Pátañjali samskáras é o mesmo que memória, já que sem memória não permaneceria na mente impressão alguma, e tampouco haveria desejo de reprizar qualquer ato que fosse.

- Vásaná (tendências)-

O termo sânscrito vásaná é também utilizado pelo Pátañjali muito idêntico ao samskáras
Podemos traduzir vásaná como tendência latente ou impulso. A diferença sutil entre sámskara e vasaná é que o primeiro tem conotação estática de impressão, registro, enquanto o segundo seria o registro manifestado, ou seja, essa faceta dinâmica da impressão, ou seja, sua manifestação como desejo, tendência, pulsão.
Escreve Feuerstein:
“ Os samkara de um mesmo tipo combinam-se para formar configurações ou "rastros” (vásaná) na mente profunda.

Quase ninguém faz distinção, pois no fundo são as mesmas coisas.

Mircea Eliade escreve:

" A vida é uma contínua descarga de vásanás que se manifestam nos vrttis. Psicologicamente, a existência Humana é uma incessante atualização do subconsciente, mediante "experiências.
Os vásanás condicionam o caráter específico de cada indivíduo; tal condicionamento esta de acordo com a herança e com a situação Karmica do indivíduo”

Isto significa de um lado que o reconhecimento da ilusão por si só liberta o Homem, pois segundo o Yoga, nele os vásanas continuarão atuando. Sabemos também que os vrttis podem ser com klêshas ou sem klêshas e que esse termo klêsha pode ser traduzido por impureza ou "mancha".
Daí o termo vásaná estar bem proximo do conceito de Freud, pois as tendências aparecem como desejos. Pulsões impuras do inconsciente e desejos inconfessáveis “id” são quase o mesmo.
O impulso inconsciente quer se tomar consciência, o desejo quer se realizar e repousar.
No Yoga os impulsos inconscientes possuem uma dimensão muito ampla, pois estão associados ao conceito de karma. São suas ações que cobram suas conseqüências num circuito de causa e efeito,em que os atos se registram como expressões de experiência agradáveis ou não;em que as impressões se transformam em tendência que ,ao se atualizarem na consciência,conduzem irremediavelmente e de novo ao ato.Esse circuito é rompido quando o Púrusha(eu incondicionado) deixa de ser arrastado pela Prakrtti(matéria);a ignorância diz desfaz quando o yogin adquire o discernimento e faz o uso de técnicas do Yoga .
escreve Pátañjali:
YOGA SÚTRA -
Hêtu phaláshrayálambanaih samgrhítatwád êshám abhávê tad abhàvah 4-11

Devido ao vínculo[ que liga as marcas no fundo da consciência ]à causa[kármica], ao fruto,ao substrato ,e ao suporte,[segue-se que] ,com o desaparecimento desses [fatores],desapareçam [igualmente ]aquelas[marcas]

DeRose :Como os samskáras são mantidos juntos devido à causa,efeito,essência e suporte, a eliminação conduz à daqueles .

Henriques: "Estando interligados como causa e efeito,substrato objeto,os efeitos desaparecem quando a causa desaparece.

Para o Yogin ,os samskaras e vásaná são grandes impedimentos ou obstáculos para iluminação,o inconsciente se opõe à ascese ,por isso se impõe seu necessário domínio e conscientização.Há também o medo,pois as pulsões inconscientes temem não se atualizarem,e o ego teme sucumbir às forças totalizadoras do inconsciente .

A satisfação dos desejos e a manifestação de formas são impulsos egóicos de exteriorização,mas realizar um desejo é esgotá-los ,e a plenitude de ser das formas esta na consumação das mesmas.
DE onde se fala de uma ânsia de não ser ,as tendências karmicas querem todas se auto -destruir,satisfazer-se. Toda universa material caminha em direção ao repouso, à reabsorção numa unidade original

Antonio Henriques.

quarta-feira, julho 01, 2009

Há uma caverna em nós ,a qual carregamos onde quer que estejamos.
Gandhi.

Compreendemos mal o mundo e depois dizemos que ele nos decepciona.

Rabindranath Tagore