Praticar Yoga é descobrir fortalecer sua própria identidade.É identificar-se consigo mesmo.Pensar com sua própria cabeça e observar o mundo por sua própria e única perspectiva.É quebrar e romper barreiras sociais.É também ser livre para agir .É mudar .
Enfim , é revelar a perfeição que existe nato em nós.
Yoga não é teoria , é pura realização.

Olá visitantes

Comece lendo esse blog de baixo para cima
primeiro o Sámkhya e depois os sútras de Pátañjali .
Os sútras estão primeiro na sua lingua original (sânscrito ) acompanhado das traduçôes de George Feuerstein e Mestre DeRose .Em seguida em alguns sútras comentários de George Feuerstein e comentarios meus
Espero que seja de grande utilidade para aqueles que buscam a verdade e a compreensão da sua existencia.

terça-feira, abril 14, 2009

Sádhana pádah (2- -55)

Tapah swádhyáyêshwara pranidhanáni Kriyá Yogah 2-1

A ascese(tápas),o estudo(swádhyáya)e a devoção ao Senhor(ishwara pránidhána)[constituem] o Yoga da ação.(KriyáYoga).

DeRose:Auto superação ,auto estudo e auto entrega constituem o Kriyá Yoga.

Comentário (Sylvia ) : Tapas ,Swádhyáyá e íshwára pranidhána são também, o alicerce no Yoga (prescrições éticas)


Comentário:Tanto a palavra kriyá quanto a palavra Karma significam "Ação",mas o Kriyá Yoga e diferente que o Karma Yoga do Bhavagad Gitá .O Karma Yoga, como já vimos, é o caminho da inação na Ação. ou da atividade ego- transcendente. O Kriyá Yoga de Pátañjali é o caminho da identificação extática com o Si-Mesmo,pela qual os ativadores subliminares(samskáras)que geram e mantém a consciência individuada vão sendo gradativamente eliminados.

Samádhi bhávanárthah klêsha tanukaranárthash cha. 2-2

Esse Yoga tem a finalidade de cultivar o êxtase e também de atenuar as causas da aflição(klesha)

DeRose: Essas observâncias também ajudam a atenuar os obstáculos para atingir o samádhi.

Comentário( Sylvia): o processo evolutivo que acontece através das técnicas doYoga estão diretamente relacionada com essas observâncias que bem trabalhadas sutilizam as aflições .
Avidyásmitá rága dvêsháabhinivêshah klêsháh. 2-3

A ignorância,a noção do eu,o apego,a aversão e a vontade de viver são as cinco causas da aflição.

DeRose: Os obstáculos são : a incultura, o egotismo,a exaltação das paixões,aversão injustificada e o excessivo apego à vida.

Comentário: As palavras que designam essas cinco origens do sofrimento ,em sânscrito são: avidya,asmitá,rága,dvesha e abhinivesha.

Avidyá kshêtram uttarêshám prasupta tanu vicchinnôdáránám. 2-4

A ignorância é o campo das outras [causas que podem estar ]
adormecidas,atenuadas,interrompidas ou ativadas.

De Rose : A incultura é o campo onde nascem os demais obstáculos,acima citados,que estejam eles adormecidos,atenuados,reprimidos ou ativos.

Comentario Sylvia a obscuridade é a causa de todas as aflições , do desespero da Humanidade que só vê o que não é para ser visto.

Anityáshuchi duhkhánátmasu nitya shuchi sukhátmakhyatir avidyá. 2-5

A ignorância consiste em ver aquilo que é eterno ,puro e jubiloso e associado ao Si-Mesmo como transitório,impuro ,doloroso e [associado ao ] não Si- Mesmo( anatmam)

DeRose: A incultura consiste em supor perenidade no perecível, pureza no impuro, felicidade na dor ,ser no não ser .

Comentário: O não Si- Mesmo (anatmam) é a personalidade egóica e o ambiente externo.

Comentario Sylvia : Avidya ( a incultura) é supor que a realidade é real ,vista , sentida e até compreendida.

Drg darshana shaktyôr êkátmatêvásmitá.2-6

A noção do eu e´como que a identificação da faculdade de ver (darshana)com aquele que vê(drik)[i.e, O Si - Mesmo.

DeRose: Egotosmo é quando se confunde o poder vetor com o poder ver.

Comentário da Sylvia : O princípio da egoidade é Buddhi(intelecto) enquanto voltado para o universo exterior, assume por intermédio das faculdades a forma cambiante das impressões das ações e dos diversos pensamentos, e permanece instável e agitada . Esse próprio movimento e processo da vida que impede o discernimento a realidade.
A discriminação e a ignorância pertence ao Buddhi que tem agora dupla função: aprisiona o ser desprovido da discriminação e o afasta do "conhecimento real" e liberta aquele que possui sabedoria discriminativa.
conhecimento real: sua própria identidade,o não Si-Mesmo,o não sou.

Sukhánushayí rágah. 2-7

O apego[ é que] repousa sobre o prazeroso.

DeRose: A paixão deriva do prazer.

Comentário da Sylvia :
Paixão é o apego ao prazer
Aparigraha (desapego)é uma ética dentro do Yoga ...você compreende esse desapego durante a prática tornando o próprio momento.Um momento de compreensão real da sua existência .

Duhkhánushayí dwêshah 2- 8

A aversão [é o que ]repousa sobre o doloroso.

DeRose: A aversão deriva da dor.

Comentário da Sylvia : Ahimsa é um yama muito importante .Assimilando essa ética eliminam- se todas as hostilidades. É imprescindível
trabalhar essa proscrição ética dentro do Yoga para alcançar estados de consciência( intuição linear -samádhi para conquistar a libertação (moksha ): a meta do Yoga

Swarasavahí vídhusho`pi samarúdhô bhinívêshah 2-8

A vontade de viver correndo[por sua] própria propensão(nasa),esta assim arraigada até mesmo nos sábios.

DeRose:O apego a vida é natural e está presente até no sábio .

Comentário: A vontade de viver(abhinivesha) é o impulso para existência individuada.É, como tal,uma das principais causas do sofrimento ,segundo o Yoga tem de ser transcendida.

Comentário da Sylvia : interessante que essa vontade de viver implica medo por que esta ligada a morte.Morte esta que é vista como fim .Fim do que? fim para quem acredita que o "eu faz" o "eu pensa"o " eu vê", o "eu morre...O eu individuado vive o maya (ilusão ) A Prakrtti é um grande banquete .

Tê pratiprasava hêyáh sukshmah 2-10

Essas [ causas da aflição],[em sua forma] sutil,devem ser superadas pelo [processo de]involução(pratipnasava)

DeRose: Estes obstáculos podem ser sutilizados e eliminados .

Comentário da Sylvia : O Yoga é o caminho, é o veículo para transcendência e elimina os obstáculos

Comentário: Os componentes básicos da Natureza(prakrtti)são três qualidades(guna),a saber o princípio dinâmico(rajas),o princípio inércia(tamas) e o principio luminoso(sattwa) A interação desses três princípios cria todo cosmo manifesto.A libertação é concebida como a inversão desse processo,pela qual os aspectos manifestos dos componentes primários(guna)reduzem-se de novo ao fundamento transcendente da Natureza .Esse processo leva a dominação técnica de "involução"(pratiprasava)

Dhyána hêyás tad vrttayah. 2-11

As flutuações dessas[causas de aflição]devem ser superadas pela meditação(dhyána)

DeRose: A meditação elimina tais vrttis.

Klêsha mulah Karmáashayô drshtádrshta janmavêdaníyáh. 2-12

A s causas dessa aflição são a raiz do" depósito de ação" ,e [este]pode se manifestar no nascimento visível[i.e nessa vida]ou num invisível[i.e.numa existência futura]

DeRose: O karma tem suas raízes nos obstáculos e é experimentado tanto no nascimento objetivo quanto no subjetivo.

Comentário: O termo técnico Karma-asharya(deposito de ação")designa a carga karmica do individuo,isto é a carga de ativadores subliminares(samskaras)que geram e definem a pessoa.

Comentário da Sylvia : o corpo sutil registra essa carga kármica e define futuras experiências.

Sati Múlê tad vipákô jatyáyúr bhogáh 2-13

[Enquanto]existe a raíz, [ colhe se] o fruto dela: o nascimento, a vida ,as sensações(bhoga) .[N.doT:em inglês experience. A palavra sãnscrita bhoga é difícil a tradução.Designa o ato do ser que recebe,está passivo perante as ações de outros seres. As palavras "sentir" ou "sensação"
, portanto,devem,nessa acepção,ser tomadas no sentido o mais lato possível.]

DeRose : Permanecendo a existência das raízes,permanecem as conseqüências Karmicas que vão determinar tudo : o nascimento, a própria vida e as suas experiências.

Tê bláda paritápa phaláh punyápunya hêtutwát. 2-14

Essas [três coisas ]tem como resultado o prazer ou a dor , de acordo com as causas [que podem ser]meritórias ou demeritorias

DeRose: Estas produzem alegria ou dor conforme sua causa seja virtude ou vício.

Comentário da Sylvia : é importante trabalhar santôsha (contentamento ).Contentar-se com a experiência que foi nos dada e assim ,a dor desaparece ,é eliminada . Santôsha é uma prescrição muito importante .
obs: não implica a conformismo. Santôsha e ishwara pranidhana(contentamento e auto entrega) é a uma via para discriminação

Parináma tápa samskára duhkair guna vrtti virôdhách cha duhkham êva sarvam vivêkinah 2-15

Em virtude do sofrimento[inerente ]às transformações (parinâma)[da Natureza],à pressão (tapa)[da existência ]e aos ativadores(samskára)[embutido no fundo da consciência].e em virtude do conflito entre flutuações das qualidades(guna)[da Natureza - para o homem de discernimento tudo é sofrimento (duhkha)

DeRose: Para aquele que discrimina ,tudo provoca a dor , seja devido antecipação do sentimento de perda, ou a novos desejos produzidas pelos sámkáras, ou, ainda ,a conflitos entre os gunas.

Comentário: O conceito de "transformação "é decisivo para filosofia do Yoga.É o desenvolvimento da noção natural de que todas as coisas estão em constante mudança. Só o Si Mesmo transcendente é eternamente estável.Para o Yogin de discernimento(vivekin),o mundo finito,o mundo da perpétua mudança,é o mundo de sofrimento,pois a mudança acarreta a inevitável perda das coisas desejáveis e a obtençaõ das indesejáveis- acarreta portanto, a infelicidade.

Comentário da Sylvia : a infelicidade
para um Yogin é um caminho de libertação .O Yogin tem o discernimento "que tudo que é, não mais é" , e tudo esta em mudança ...

Hêyam duhkham anágatam. 2-16

O que se há de superar é o sofrimento futuro.

DeRose: A dor que ainda surgiu pode ser evitada.

Drashtr drshyayôgô samyogo hêya hêtuh 2- 17

A correlação (samyoga)entre aquele que Vê[i.e,o Si Mesmo transcendente ]e o que é Visto[i.e A Natureza] é a causa do que se há de superar

DeRose: A causa dessa dor que pode ser evitada é a identificação do Vedor com o visível.

Comentário : A relação entre o S i Mesmo transcendente e o mundo ,o qual inclui a mente ,(que não é um aspecto do Si Mesmo, mas uma parte da Natureza)é bastante real no que se refere à nossa experiência imediata No entanto não é" realemnte real",pois o Si-Mesmo e a Natureza são eternamente distintos um do outro .A aparente correlação (samyoga)ou identificação errônia entre o Sujeito transcendente e o mundo objetivo que se oferece a experiênciaé devido a ignorancia espiritual(avidya)e deve ser superada.

Comentário(Sylvia) : o veiculo é ilusório , a experiência é pura ilusão que só acontece na consciência individuada e o Purusha sempre será indiferente a essa experiência ou melhor ele não reconhece a experiência , só assiste;apesar de parecer confundido pela Prakrtti.
Superar é ter discernimento da ilusão. o Yoga é o caminho , é essa superação .A dualidade desaparece junto com a ignorância da sua própria existência.

Prakásha kriyá sthiti shitam bhutêndriyátmakam bhôgápavargártham drshyam 2-18


O que é Visto [i.e,aNatureza]tem o caráter de luminosidade,atividade ou inércia;esta incorporado nos elementos e orgãos dos sentidos e suas finalidades [sao]a fruição(bhôga)ou a emancipação(apavarga).

DeRose :O visível existe para emancipação do Vedor.O visível consiste na relação dos elementos prakasha-kriyá- sthiti(luminosidade-atividade-estabiidade)com os bhútêndriya.

Comentario : A Natureza na forma da mente Humana ,tem duas tendencias.Por outro lado,é feita para a "fruição" , e implica um sujeito egóico que é polo passivo dos acontecimentos desejáveis e indesejáveis. Por outro lado,também permite processos que levam a transcendência do ego e todas as experiências.Isso se explica pela doutrina das tres qualidades (guna) ou componentes da Natureza.Enquanto as qualidades de atividade(rajas)e da inércia(tamas)tendem preservar a ilusão egóica, a predominância do fator lúcido(sattwa)cria as précondições necessárias para libertação.
Por isso Yôgin busca cultivar as condições e estados satwicos.

Vishêshavishêshalingámátrálingáni guna parváni 2-19

Os níveis dos componentes(guna)da Natureza são o Particularizado,o Não Particularizado,o Diferenciado e o Indiferenciado

DeRose :Os gunas estão presentes em tudo,em escala particular e geral ,visível e invisível.

Comentário:O corpo e a mente do Homem são uma forma particularizada da Natureza.As faculdades sensoriais(som,visão,audição, etc ) e a noção do eu(asmitá de Pátañjali)pertence ao nível não- particularizados da manifestação cósmica.Ainda mais sutil é o nível da primeira forma diferenciada a surgir no fundamento indiferenciado da Natureza.O máximo que se pode dizer dessa "forma" é que ela existe e nela predomina a qualidade sattwa.Além disso, subsiste a Consciência-Testemunha transcendente,o Si-Mesmo.

Drashtá drshimátrah shuddhô`pi pratyayánupashyah. 2 -20

Aquele que Vê,[que é]a pura [potência da ]visao,embora puro,percebe as idéias [presentes na consciência]

DeRose:O Vedor somente vê,e embora puro,experiência através da inteligência(no sentido de consciência)

Tad artha êva drshyasyátmá 2-21
O Si-Mesmo [i.e,a essência]do que é visto[i.e,A Natureza]só é em vista d Aquele [que Vê,O Si-Mesmo transcendente]

DeRose : O visível existe apenas em função do Vedor.

Comentário: Esse Aforismo reforça a idéia,apresentada acima(2-18),de que a Natureza serve a propósitos do Si Mesmo.
O mundo da Natureza pode ser usado quer para o gozo das experiências,quer para que o ser se lance para realização do Si-Mesmo,além de todos estados condicionados da existência.

Krtártham prati nashtam apy anashtam tad anya sádháranatwát. 2-22

Embora [o que É Visto]tenha deixado de existir para aquele cujo o objetivo foi realizado ,ele porem não deixou [de existir de todo],pois,[ainda é]objeto de percepção comum(sadharanatva}dos outros [que não são iluminados].

DeRose :Conquanto o visível deixe de existir pra quem tenha atingido seu objetivo ,continua existindo para os demais ,pois é comum a todos .

Swa swámi shaktyôh swarupôpalabdhi hêtuh samyogah 2-23

A correlação samyoga[entre o que Vê e o que É Visto]é a razão da apreensão da forma essencial do poder do "possuidor"(swamin) e do possuído(swa).

DeRose: A União (entre o Purusha e a Prakrti) conduz à consciêntização da Naturezada energiado possuidore da do possuido.

Tasya Hêtur avidyá 2-24

A causa dessa correlação é a ignorância.(avidya).

DeRose: A causa dessa União é a Ignorância.

Tad abhávát samyôgábhavô hánam tad drshêh kaivalyam. 2- 25

Com o desaparecimento dessa[ignorância],a correlação[também]desaparece,isto é,a cessação[total],a solidão(kaivalyam)da Pura potência da Visão.

DeRose: quando ela é eliminada tal união desaparece e o Vedor é liberado.

Vivêka khyátir aviplavá hánôpáyah. 2-26

O meio de [alcançar a] cessação é a ininterrupta visão do discernimento(
Vivêka khyátir)

DeRose:O meio de destruir a ignorância é o constante discernimento.

Tasya saptadhá pránta bhumih prajña. 2-27

Para aquele[que possui a ininterrupta visão do discernimento,nasce ,no último estágio,a sabedoria (prajña )sétupla

DeRose:O conhecimento é alcançado mediante a 7 passos.

Comentário: De acordo com o Yoga-Bhasya de Vyása, os sete aspectos dessa sabedoria são os seguintes:
  1. aquilo que deve ser evitado,isto é,o sofrimento futuro ,já foi devidamente identificado
  2. as causas do sofrimento já foram eliminadas de uma vez por todas
  3. através do "extase da contenção"(nirôdha-samádhi),chegou se por fim à absoluta cessação de todos os conteúdos da consciência.
  4. o meio de cessação,isto é,a visão do discernimento,já foi devidamente aplicado
  5. alcançou se a sabedoria do intelecto incriado(buddhi)
  6. as qualidades(guna)perderam todos os seus pontos de apoio e,"como rochas que se despencam montanhas abaixo",tendem à dissolução(,pralaya),isto é , à plena reabsorção no fundamento transcendente da Natureza
  7. o Si-Mesmo subsiste em sua natureza essencial,imaculado e sozinho (Kaivalyam)
Yogangánushthanád asbuddhi kshayê jnána díptirá vivêka khyátêh. 2-28

Através da Prática dos membros do Yoga,e com a redução das impurezas,[brilha]o fulgor da sabedoria(jnána),[que aumenta até chegar]à visão do discernimento.

DeRose : Com a prática dos diversos angas(partes) do Yoga, destroem- se as impurezas, e o conhecimento torna-se pleno de discernimento

Yama niyama ásana pránáyáma,pratyahára,dharana dhyana samádhayô`shtáv angání.2-29

A disciplina (Yama), o auto controle (Niyama), a postura(ásana), o controle da respiração(pránáyáma), o recolhimento dos sentidos (pratyáhára), a concentração( dháraná), a meditação(dhyána) e o extase(samádhi) são os 8 membros [do Yoga ].

DeRose: Proscrições e prescrições éticas,posições físicas,respiratórios,abstração dos sentidos ,concentração mental,meditação e Hiperconsciência ,são as oito partes do Yoga.

Ahimsá satyaastêya brahmácharya aparigrahá yamah 2-30

A não violencia ,a veracidade,o não roubar,a castidade e o não cobiçar são as diciplinas

DeRose:As proscrições éticas são : não agredir,não mentir,não roubar,não dissipar a sexualidade,não ser possessivo.
Comentário da Sylvia: Um sábio vê uma ética enquanto o ignorante precisa ver cinco(2-30)(2-32)

Játi dêsha Kála samayánavacchinnáh sárvabhauma mahá vratam. 2- 31

[São válidos] em todas as esferas ,independente do nascimento,lugar,tempo e circunstancia,[e constituem]o "grande voto"(máha vratta).

DeRose :Estas proscrições éticas são um grande voto,aplicável a todos os casos, e não estão limitadas por castas ,lugar ,tempo ,nem circunstâncias.


Sauchan santôsha tápáh swádhyáyêshwára pranidhánáni niyamah 2-32

A pureza,o contentamento,o ascese,o estudo e a devoção ao Senhor são formas de autoconhecimento
.

DeRose: As prescrições éticas são : limpeza,alegria,auto- superação,auto-estudo e auto-entrega.

Vitarka bádhanê pratipaksha bhávanam. 2-33

Para repelir noções(vitarka)[perniciosas],[o Yogin deve dedicar-se ao] cultivo do oposto[delas]

DeRose :Quando surgirem pensamentos indesejaveis, estes podem ser vencidos convivendo se com seus opostos


Vitarká himsádayah krta karitánumôditá lobakrôdha môha púrvaká mrdu madhyádhimátrá dubkhájnánananta phalá ití pratipaksha bhávanam. 2-34

Noções[ perniciosas ],[como] a violência,etc, quer sejam praticadas de fato,quer se ordene que sejam praticadas,quer sejam[simplesmente]aprovadas;quer nasçam da cobiça,quer da ira,quer do tédio;quer sejam pequenas,medias ,quer excessivas-[sempre tem a sua] infindável consumação na ignorancia(avidyae no sofrimento(duhka); e por isso,[o yogim deve dedicar -se] a cultivar o oposto delas.

DeRose: Os pensamentos indesejáveis ,assim como os de agressão, quer sejam cometidos,permitidos ou causados pela avareza,cólera ou engano, que sejam moderados,médios ou grandes,são frutos da ignorância e sempre terminam em sofrimento.Por isso é necessário convivermos com seus opostos

Ahimsá pratishtháyam tat sammidhau vaira tyágah 2-35

Quando o Yogin se firma na[ virtude da] não violencia (ahimsá),[toda]discórdia se acaba na sua presença

DeRose: quando se vivência a não agressão , a Hostilidade desaparece em nossa presença.

Satya pratishtháyám kriyá phaláshrayatwam. 2-36

Quando se firma na veracidade (satya), a ação [ e sua]fruição passam a depender [da sua vontade]

DeRose: Quando se faz uso estrito da verdade,obtém-se resultados,mesmo sem tomar nenhuma atitude concreta.

Astêya pratishtháyám sarva ratnôpasthanam. 2-37

Quando o Yogin se firma no não roubar(astêya),todos os tesouros surgem [à frente dele]

DeRose: Quando se observa a honestidade ,toda riqueza é atraída.

Brahmácharya pratishtháyám vírya lábhah. 2-38

Quando se firma na castidade brahmácharya ,adquire [grande]vitalidade.

DeRose :Quando se observa a não dissipação da sexualidade,obtém-se uma grande potência.

Aparigraha sthairyê janma kathamtá sambôdhah 2-39

quando se firma no não cobiçar(aparigraha)[o yogin obtém]o conhecimento de onde se verificaram os [seus]nascimentos.

DeRose: quando se observa a não possessividade ,compreende-se o sentido da vida.

Sauchát swánga jugupsá parair asamsargah. 2-40

Através da pureza(sauchan),[obtém] o distanciamento(jugupsá) em relação a seus próprios membros[e adquire também o desejo de ] não ser contaminodo pelos outros.

DeRose: Quando se observa a limpeza do próprio corpo,ocorre a aversão pelo contato físico com outros que não a observem.

Sattwashuddhi saumanasyaikágryêndrya jayátmadarshana yôgyatwáni cha.2-41

obtém alem disso], a pureza da [qualidade]sattwa[do seu ser],a gratidão, a concentração, o domínio dos orgãos dos sentidos e a capacidade de ver o Si-Mesmo

DeRose: com a purificação,advém a clareza mental,o poder de concentração, o dominio dos sentidos e a aptidão para perceber o Si-Mesmo.

Santôshád anuttamah sukha labhah 2-42

Através do contentamento (santôsha) obtém-se uma alegria inigualável.

DeRose:A observância da alegria constante conduz a superlativa felicidade.

káyêndrya siddhir ashuddhi kshayát tápasah 2-43

Através da ascese(tapas), e me virtude da diminuição da impureza ,[alcança-se] a perfeição do corpo e dos orgãos dos sentidos

DeRose: A auto-superação produz a destruição das impurezas , o que conduz ao aperfeiçoamento da sensibilidade corporal.

Swádhyáyád ishta dêvatá samprayôgah - 2-44

Através do auto-estudo(swádhyáya),o yogin estabelece] contato com a divindade da sua eleição(ishwára-dêvata)

DeRose: O auto-estudo predispõe ao contato com as potestades propiciatórias.

Comentário: Muitas escolas de Yoga encorajam o praticante a cultivar um relacionamento ritual com a Divindade sob forma de vishno,shiva,krishna ,kali ou alguma outra personagem tradicional ,que se torna então a divindade escolhida pelo Yogin.

Samádhi siddhir íshwara pranidhánát 2-45

Atraves da devoção ao Senhor (ishwára pranidhána)[sobrevém]a obtenção do extase[sura consciênte]

DeRose: Pela auto entrega advém o aperfeiçoamento da hiperconsciência.

sthira sukhan ásanam 2-46

A postura(ásana )deve ser firme e confortável.

DeRose: A posição física deve ser firme e confortável.

Prayatna shaithilyánamta samápattibhyám. 2-47

[A prática correta da postura é marcada]pelo relaxamento das tensões e a coincidencia da [ consciência]com o infinito.

DeRose:Ela é dominada quando se elimina a tensão e medita-se no infinito.

Tatô dwand wánabhigjátad 2-48

Daí vem a imunidade aos opostos (dwadwa)[encontrados na Natureza como o calor e o frio]

DeRose: Como conseqüência a dualidade cessa.

Tasmin sati shwása prashwásayôr gatí vicchêdah pránáyámah. 2-49

Quando isso é [alcançado].[deve-sepraticar]o controle da respiração,[que é ] a interrupção do fluxo da inalação e exalação.

DeRose: Isso é obtido,o passo seguinte é pránáyáma que consiste em controlar o processo de inspirar (shwása) e expirar (prashwása)

Báhyábhyantara stambha vrttir dêshakála samkhyábhih paradrshtó dirghasúkshmah. 2- 50

Quanto ao seu movimento,[o controleda respiração é]externo,internoou [fixo][e é],regulado pelo lugar,pelo tempo,pelo numero;[pode ser] dilatado ou contraído].

DeRose :As modificações da repiração compreende:

1-a respiração externa (bahya),interna (abhyantara),ou retida(stambha)
2-estão reguladas pelo comprimento do alento(dêsha),tempo(kála)e numero (samkhya)de respirações
3-e o exercício poder ser de longa(dírgha)ou curta(súkshma)duração.


Bábyábhyantara vishayákshêpí chaturthah 2 -51

O [movimento da respiração]que transcende a esfera externa e interna é o "quarto".


DeRose:O quarto tipo de pránáyáma está além da inspiração e expiraçao

Comentario: Esse obscuro aforismo deu margem a interpretações diversas.Provavelmente refere-se a um fenômeno especial que acontece no estado de extase (samádhi).Nele, a respiração pode ficar tão reduzida e tão sutil que não pode ser mais detectada.Esse estado de respiração suspensa pode manter-se por longos períodos.

Tatah koshíyatê prakáshávaranam 2 52

Então desaparece o véu que encobre a Luz (interior)

DeRose: Com isso,desvenda-se a Lucidez.

Dháranású cha yogyatá manasah 2-53

Eo[yogin adquire ]aptidão mental para concentração.

DeRose : E a mente torna-se mais apta para concentração(dháraná)

Swa vishayásamprayôgê chittasaya swarúpánukára jvêndriyánám pratyáhárah 2-54

O recolhimento dos sentidos é como que a imitação da forma essencial da constancia [por parte] dos orgãos dos sentidos ,que são separados dos seus objetos.

DeRose:Quando os sentidos já não estão em contato cpm seus objetos e assumem a própria natureza de chitta, isto é pratyáhára.

Tatah paramá vashyatêndriyánám. 2- 55

Daí [resulta] a suprema obediência dos orgãos dos sentidos.

DeRose: Com isso, obtem-se total controle dos sentidos.

terça-feira, março 24, 2009

essa constituí a meta única do Yogin.

Tudo que provém do discernimento(vivêka) é sofrimento(duhkam),mas que através da pratica sistemática do Yoga,a luz do conhecimento(jñána )ilumina o discernimento(vivêka)para produzir a verdadeira sabedoria(vidyá)que irá nôs conduzir a liberdade (moksha.)

Yoga sútra de Patañjali

sexta-feira, março 13, 2009

1 - Samádhi - pada (capítulo sobre extase " (1-51)

Atha Yoganushásanam (1-1)

Agora começa a exposição do Yoga

DeRose: Agora, o ensinamento do Yoga.

Yogah citta vrtti nirôdhah (1-2)

O Yoga é a contenção(nirodha) das flutuações da consciência(citta)

DeRose :Yoga é a supressão da instabilidade da consciência

Tadá drashtuh swarúpê vasthánam.(1-3)

Então aquele que vê[i.e,o Si Mesmo transcendente ]subsiste em [sua] forma essencial.

DE ROSE: quando isso é alcançado,o observador consciêntiza-se da sua própria identidade.

Vrittisárúpyam itaratra(1.4)

Em outros momentos[o Si-Mesmo conforma-se as flutuações

DE ROSE:Caso contrário ele se identifica com a instabilidade.

Comentários: No estado de não iluminação nós não nos identificamos conscientemente com o Si Mesmo(Purusa),mas concebemo-nos como indivíduos isolados dotados de características particulares .Isso não significa,porem,que o Si- Mesmo esteja ausente.Esta apenas eclipsado.Gerog Feuerstein.

Vrttayab pañchatayyah Klishta sklishtah (1-5)

As flutuações são cinco :aflitas e não aflitas

DEROSE:A instabilidade é de cinco tipos,alguns dolorosos e outros não dolorosos.

Comentário :Os estados de consciência chamados aflitos(klishta)são aqueles que conduzem ao sofrimento,ao passo que os estados não aflitos (aklishta) conduzem a libertação.Exemplo deste ultimo estado é a condição de transcendência extática(samádhi)Georg Feuerstein

Pramána viparyaya vikalpa nidrá smrtayah(1-6)

[os cinco tipos de flutuações são]conhecimento,concepção errônia,conceitualização,sono e memória.

DeRose:São eles :conhecimento correto,conhecimento equivocado,conhecimento baseado na imaginação,no sono e na memoria.

Pratyakshánumánágamáh pramánáni(1-7)
O conhecimento [pode advir da] percepção da inferência e [do] testemunho.
DeRose: O conhecimento correto é obtido pela percepção, pela dedução e pelos relatos de reconhecida autoridade.

viparyayô mithyájñánam atad rúpa pratishtham.(1-8)

A concepção errônea é um conhecimento falso que não se baseia na aparência[real]do[objeto de conhecimento]

DeRose: O conhecimento equivocado é o que baseia na aparência e não na natureza real.

Shabda jñánánupátí vastu shúnyô vikalpah(1-9)

A conceitualização é sem objeto [perceptível]e segue-se ao conhecimento verbal.

DeRose: O conhecimento baseado na imaginação é causado por palavras destituídas da realidade.

Abháva pratyayálambaná vrttir nidrá(1-10)

O sono é uma flutuação fundamentada na ideia da não ocorrência[de outros conteúdos da consciência]

Comentário: Este aforismo afirma que o estado de sono embora não possamos conhece-lo enquanto dura é ,não obstante,um conteúdo de consciência testemunhado pelo Si-Mesmo transcendente.Pátañjali usa palavra pratyaya traduzida aqui como ideia,para significar um determinado conteúdo da consciência.George Feuerstein.

Anubhúta vishayáasampramôshah smritih(1-11)

A memória é a "não privação"[i.e,a retenção]dos objetos já captados

DeRose:A memória é a não extinção de experiências passadas.

Abhyása vairágyábhyám tan nirôdhah.(1-12)

A contenção dessas [flutuações realiza-se]mediante a prática[do Yoga e a impassibilidade.

DeRose:Todas as instabilidades são controladas através de abhyása (pratica diligente}e de vairágya (desprendimento).

Tatra sthitau yatnô bhyásah.(1-13)

A prática (abhyása) é o exercício [feito em vista da aquisição da] estabiidade nesse [estado de contenção]

DeRose:Abhyása {a prática diligente},consiste no energético afã de conquistar a estabilidade.


Sa tu dírgha kála nairantarya satkárásêvitô drdhabhúmih.(1-14)

Mas essa [prática só] se firma[depois de ter sido]cultivada adequadamente e ininterruptamente por muito tempo

DeRose: Esta,porém,alicerça-se solidamente só com a prática diligente cultivada por um longo tempo,sem interrupção e com profunda dedicação.

Drshtánushravika vishaya vitrshnasya vashíkára samjñá vairágyam.(1-15)

A impassibilidade(vairagya) é a certeza da maestria do[ Yogin que] não tem sede das coisas visíveis nem das reveladas(invisíveis)

DeRose: Vairágya(desprendimento)é quando subjulga-se a compulsão pelas dispersões que venham a ser vistas e ouvidas

tat param Púrusa khyatêr gunavaitrshnyam.(1-16)

A [forma]superior dessa[impassibilidade]é a não ter sede dos componentes[(gunas)[da Natureza,o que decorre]da visão do Si-Mesmo(Púrusha)

DeRose:isto proporciona a mais elevada consciência do Homem (Púrusha) ,no qual cessam os Gunas (atributos)

Vitarka vicháránamdásmitánugamát samprajñátah(1-17)

[O êxtase que nasce desse estado de contenção]é consciênte(samprajñata)na medida em que é vinculado à cogitação,à concepção,à alegria ou à noção do "eu" (asmita).

DeRose: Atinge se então ,o samprajñáta samadhi(ou primeiro estágio da Hiperconciência)que compreende racionalidade ,discriminação,felicidade e noção do eu.

Comentário: Embora o êxtase(samádhi}implique uma fusão do sujeito e objeto,nos níveis inferiores essa consciência unitiva ainda esta associada a diversas espécies de fenômenos mentais,como pensamentos que surgem espontaneamente ,sentimentos de alegria e a noção de que se é uma entidade isolada. Pátañjali chama essa noção do "eu"literalmente de "eu sou-dade"ou "qualidade de eu-sou".
Os quatros tipos mencionados indicam diferentes níveis e formas de extase.

Viráma pratyayábhyása púrvah samskára shêshô`nyah.(1-18)

O outro [tipo de extase] tem um resíduo de ativadores(samskáras);segue-se ao primeiro[i.e.,ao extase consciênte]com a prática da idéia de contenção.

DeRose: há outro estado(asamprajñata samádhi),alcançado pela prática constante,no qual ocorre a cessação da instabilidade e o único que permanece são os samskaras(impressões residuais de experiências vividas no passado).

Comentario: O estado unitivo associado a pensamentos,sentimentos etc é chamado êxtase consciênte(samprajñata- samadhi) quando todos esses fenômenos mentais deixam de surgir chegou se ao nível seguinte de estado unitivo,chamado de extase supraconsciêntes (asamprajñata - samádhi ) Embora neste estado mais elevado o Yogin já não reaja a estímulos ambientais,o estado não deve ser equiparado ao transe inconsciênte.

Bhavapratyayô vidêha prakrtilayánám.(1-19)

[O extase daqueles que se]fundiram com a Natureza (prakrti-laya) e [daqueles que estão] sem corpo(videha)[nasce da persistencia da]idéia de vir-a-ser.

DeRose: Esse estado pode ser obtido por nascimento,por extrasensorialidade ou pela dissolução da Prakrti.

Shraddhá vírya smrti samádhi prajñapúrvaka itarêshám.(1-20)

[O extase supraconsciênte]dos outros [Yogins cuja o caminho é especificado no aforismo 1-18] é precedido pela fé ,pela diligência,pela atenção,pelo êxtase[consciênte]e pela sabedoria.

DeRose: Ouros atingem o samádhi por meio da fé,da energia viril,da memória e do conhecimento.

Tívra samvêgánám ásannah(1-21)

[O êxtase supraconsciênte]esta próximo para [os yogins que se dedicam]com extrema intensidade[á prática de Yoga]

DeRose:Ele esta próximo para os que anseiam com intensidade.

Mrdu mudhyádhimátratwát ta tô`pi vishêshah(1-22)

Como [essa intensidade pode ser]pouca,medíocre,ou excessiva,existe a diferença[em quão próximos os yogins podem estardo êxtase supraconsciênte]

DeRose:Os frutos desse anseio seao proporcionais à sua intensidade seja ela branda ,média ou forte

ishwára pranidhánád vá(1-23)

Ou senão[o extase supraconsciênte é obtido]através da devoção ao Senhor (íshwára pranidhana)

DeRose: Ou também pode ser obtido(o samádhi) através da auto-entrega.

klêsha karmavípakashayair aparámrsshtah Púrusha vishêsha íshwarah(1-24)

O Senhor(ishwára)é um Si-Mesmo especial[porque] não é maculado pelas causas de aflição [Klêsha],nem pela ação e pela fruição desta,nem pelos depóstos(ásharya)[no fundo da memória,que dão origem aos pensamentos,ações,desejos,etc.

DeRose: íswara é um Púrusha especial não afetável pelas aflições,nem pelas ações ou suas consequências e nem por impressões internas de desejos.

tatra niratisháyam sarvajña bíjam.(1-25)

Nele, a semente da onisciência não tem igual

DeRose:Neste esta a semente da consciência.

Sa êsha purvêsham uoi guruh laílênána vacchêdát(1-26)

Em virtude da[Sua]continuidade no decorrer do Tempo[o Senhor]foi também o diretor dos antigos [adeptos do Yoga]

DeRose: É Também o Mestre dos mais antigos Mestres ,pois não esta limitado
pelo tempo.

tasya váchakah pranavah(1-27)

Seu símbolo é a "proclamação"(pránava)[i.e.,a silaba sagrada Om]

DeRose : Ele é conectado pelo mantra Om (Pránava)

Taijapas tad artha bhávanam.(1-28)
A recitação dessa[sílaba sagrada leva à] contemplação do seu significado.

DeRose:Sua repetição e meditação(nele)conduzem à meta.

Tatah pratyak chêtanádhigamô pyantaráyá bhávash cha.(1-29)

Dai [segue-se] a realização da interiorização[habitual]da mente (prayak-cetaná)e também o desaparecimento dos obstáculos[mencionados no aforismo seguinte ]

DeRose: Disso obtêm-se o conhecimento de Si-Mesmo e a superação dos obstáculos

Vyádhi styána samshaya pramádalasyávirati bhrántí darshanálabdhabhumí katwánavasthitatwání chitta vikshêpás tê´ntaráyáh.(1-30)

A doença ,a inercia,a dúvida,a desatenção,a preguiça,a dissipação, a visão falsa,a não realização dos estagios [do Yoga] e a instabilidade [nesses estágios] são as distrações da consciência;são estes os obstáculos.

DeRose: Os 9 obstáculos são as dispersões da consciência causadas por: enfermidade,apatia,dúvida,negligência,indolencia,noções erradas.apego excessivo ao prazer,volubidade e insucesso em uma etapa

Dukkha daurmanasyángamêjayatwa shwása prashwása vikshêpa
sahabhuvah(1-31)

A dor ,a depressão,o tremor dos membors e [os erros de]inalação e exalação são [sintomas] associados a distrações.

DeRose Os sintomas da dispersãomental são: a infelicidade,a depressão,o nervosismo e a respiração irregular.

Tat pratishêdhártham êka tattwábhyásah (1-32)

Para contrapor- se a essas [distrações,o Yogin deve recorrer à prática [de concentrar-se]num único princípio.
DeRose - ------

Maitrí Karuná muditôpêkshánam sukkha duhkha punyápunya vishayánám bhávanátash chitta prasádanam.(1-33)

A projeção de amizade,compaixão,gratidão e equanimidade perante as coisas-[sejam elas] alegres ou tristes ,meritórias ou demeritórias - [leva à ]pacificação da consciência.

DeRose: A serenidade da consciência é obtida mediante o cultivo da amizade,compaixão,alegria e indiferença,respectivamente aos que são felizes,infelizes,bons e maus

Pracchardana vidháranábhyám vá pránasya(1-34)

Ou senão [a contençao das flutuações da consciência é alcançada] através da expulsão e retenção da respiração(prána)[de acordo com as rregras do Yoga].

DeRose: Ou pela expiração e retenção do prána.



Vishayavatí vá pravrttir utpanná manasah sthiti nibandhíní(1-35)

Ou senão [o estado de contenção acontece quando]surge uma atividade centrada num objeto que mantém a mente estável.

DeRose: Ou ainda ,quando entram em funcionamento os sentidos superiores atinge-se a estabilidade da Mente.

Comentário: Esse aforismo,aparentemente técnico,trata de uma idéia bem simples :de acordo com os comentários escritos em sânscritos,"atividade centrada num objeto"(vishaya-vatí pravritti)significa um estado de consciência sensorial intensificada chamada "percepção divina"(divya- samvid).A idéia é a de que a sensação intensa de um aromaou uma textura ,por exemplo,pode concentrar a mente tal ponto que o Yogin chega ao estado de contenção.(nirôdha)


Vishôká vá jyôtishamatí(1-36)

Ou senão [a contenção é alcançada por meio de atividades mentais]que não levam em si sofrimento e têm o poder de iluminar.

DeRose: Ou pela lucidez que ilimina todo o pesar.

Vita rágá vishayam vá chittam.(1-37)

Ou senão [a contenção é alcançada quando]a consciência é dirigida para[os seres que ]venceram o apego

DeRose: Ou seguindo o exemplo de alguém que tenha superado a exaltação das emoçoes e a dependencia dos objetos dos sentidos .

Swapana nidrá jnanálambananam vá(1-38)

Ou senão [a contenção é alcançada quando a consciência] repousa em intuições [advindas dos]sonhos e [do]sono.

DeRose: Ou pela atenção prestada ao conhecimento advindo do sono com ou sem sonhos.

Yathábhimata dhyánád vá.(1-39)


Ou senão [a contenção é alcançada por meio da meditação(dhyána),como é desejado.

DeRose:Ou pela meditação em algo que seja agradável.


Paramánu parama mahattwántô´sya vashikárah.(1-40)

Sua maestria[vai] das coisas mais mínimas à maior magnitude.

DeRose : Assim, o domínio abrangerá do infinitesimal ao infinito.

kshína vrttêr abbijátasyêva manêr grahítr grahana grahyêshutatstha tadañjanatá samápattih.(1-41)

[Para consciência cujas ]flutuações acabaram[e que tornou-se ]semelhante a uma gema transparente[sobrevêm]- no que diz respeito "aquele que capta","a captação"e ao "que é captado-[um estado de] coincidência(samápatti)com aquilo sobre qual repousa a [consciência e pelo qual [a consciência ]é "ungida "

DeRose : Naquele que tiver controlado a instabilidade ocorre uma identificação entre o observador,o objeto observado e o ato da observação,assim o cristal se identifica com a cor do objeto próximo.


Comentário : quando a mente se imobiliza por completo, torna-se translúcida.
É então,que pode acontecer o êxtase,o samádhi.No processo do êxtase,o objeto de concentração adquire tais proporções na consciência que a distinção entre sujeito e objeto desaparece. Na terminologia de Patañjali,é essa "coincidência" do sujeito que conhece ,do objeto conhecido e do processo de conhecer ou conhecimento,respectivamente chamados "aquele que capta ou agarra(gahítri), o que é captado ou agarrado(gráhya) e "captação ou ato de agarrar "(grahana ).

Tatra shabdártha jñána vikalpaih samkírná savtarká samápattih (1-42)

Quando o conhecimento conceitual [baseado na]intenção das palavras[esta presente]neste [estado de coincidência entre sujeito e objeto,o estado é chamado de ] "coincidência entremeada de cogitação"

De Rose: Desses estados de identificação,um é o savitarká(com inferência),que sofre influência mista do nome,forma e idéia subjetiva do objeto observado

Comentario: A metafisica do Yogin faz distinções entre diversos níveis da existência:o grosseiro,o sutíl,o não manifesto e o transcendente.O objeto do êxtase entremeado de cogitação(vitarka-samádhi)pertence ao domínio grosseiro(sthúla)ou corporal.

Smrtí parishuddhau swarúpa shúnyêvártha mátra nirbhásá nivitarká (1-43)

Com a purificação da [profundeza] da memória,[a qual]como que se esvazia da sua essência,[e quando]só objeto[de meditação]fulgura,[o estado de êxtaseé chamado "supracogitativo"(nirvitarká)

DeRose: O outro é ,nirviarká(sem inferencia),que só resplandece quando a memória está purificada e isenta da forma ou natureza do objeto.

Êtayaiva savichárá nirvichárá cha súkshuma vishayá vyákhyátá.(1-44)

Assim por este[êxtase cogitativo],ficam explicados [os outros dois tipos básicos de êxtase -o reflexivo(savicárá)e o supra reflexivo(nirvicára):[nestes o suporte de meditação é um] objeto sútil.

DeRose: Assim,explicam-se também o siavichárá(com investigação) e o nirvichárá samádhi (sem investigação),que são obtidos mediante a prática sobre objetos mais sutís.

Comentario: A reflexão(vicárá)é um processo espontâneo da concepção que ocorre no estado extático que tem por ponto focal um objeto sútil(súkshma)ou imaterial,como por exemplo a matriz transcendente da criação, chamado de o indiferenciado.

Súkshuma vishayatwam chálinga paryavásanam(1-45)

E os objetos sutís terminam no indiferenciado.(alimga).

DeRose: A sutileza cada vez maior dos objetos da prática estende-seaté o infinito.

Ta êva sabijáh samádhih.(1-46)

Estes [tipos de coincidenciaentre o sujeito e o objeto pertencem]na verdade [a categoria do] "êxtase com semente"(sabíja samádhi)

DeRose: Esses são os sabíja samádhis (samádhis com semente).

Comentário: O termo "semente" refere-se à permanência dos ativadores subliminares (sanskáras)nas profundezas da consciência.Eles geram atividade mental e, portanto,Karma.

Nirvichára vaisháradyê" dhyátma parásadah (1-47)

Quando há lucidez (vaisháradya) no [êxtase]supra reflexivo,[este é chamado]"do ser interior(adhyátma -prasáda)

DeRose: Alcançado a perfeição no nirvichára ,sobrevém a consciência do puro Self.

Rtambhará tatra prajña (148)

Neste[estado de suprema lucidez],toda intuiçãoleva em si a verdade(ritam-bhara)

DeRose: Então o conhecimento torna- se pleno de realidade

Shrutánumána prajñabhyám anya vishayá vishêshárthatwát.(1-49)


A amplitude[dessa intuição que leva em si a verdade]é diferente da intuição[que vem da] tradição e [da] inferência,[em virtude da sua] força e direçao particulares.

DeRose: O conhecimento que é alcançado nos níveis superiores de consciência ao contrário do conhecimento intelectivo,não é sujeito as informações provenientes de transmissão externa(shrti)nem de dedução(anumana)

Comentario: Este aforismo(sútra) parece exprimir a idéia de que a intuição (prajña) que leva em si a verdade,alcançada no nível mais alto do êxtase consciênte (samprajñata- samádhi) ,é muto diferente do conhecimento comum ,na medida em que proporciona o ímpeto que leva à transcendência de todo conhecimento distintivo no êxtase supraconsciênte(asamprajñata -samádhi) ,o único que pode conduzir aà libertação, à realização do Si-Mesmo.

Taj jah samskarô!nya samskára pratibandhí.(1-50)

O ativador (sanskára) que nasce dessa intuição veraz] obstrui os demais ativadores [ que residem nas profundezas da consciência.

DeRose: O samskáras que resulta deste conhecimento suplanta todos os samskáras anteriores.

Tasyápati nirôdhê surva nirôdhán nirbijah samádhih (1-51)

Com a contenção até mesmo desse [ ativador,sobrevém] em virtude da contenção de todos [os conteúdos da consciência], o êxtase sem semente.

DeRose: Quando até esse estado é superado,entra-se no nirbíja samádhi (samádhi sem semente)

O Yoga-Sútra de Pátañjali - texto original

Esta tradução de aforismo de Pátañjali é baseada nos extensos estudos textuais e semânticos.
As interpretações de Georg Feuerstein diverge da dos comentários sanscritos.A tradução esta bastante literal,para transmitir algo da natureza técnica da obra de Pátañjali.Na maioria das vezes,as traduções populares não fazem jus as subtilezas do pensamento do autor nem a complexidade da prática do Yoga superior.
O asterisco(*)que vem após alguns Sutra indicam que eles pertencem ao texto que supus ter sido citado por Pátañjali tratando do caminho de oito membros,ou que parecem ter sido acrescentados a composição original de Pátañjali. Pode haver um numero maior de Sutras interpolados,especialmente no terceiro capítulo,que contem as listas de poderes paranormais,mas o trabalho de procurar identifica-los não me parece particularmente útil

quarta-feira, março 04, 2009

o Yoga - amigo da Natureza


vegetariana , ambientalista e instrutora de Yoga
amiga dos animais ...amiga da Natureza
Faço minha parte e agora a unidade ganha uma sede de informações sobre aquecimento Global.

http://yogaamigosdoplaneta.blogspot.com/

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Curso de Samkhya 21e22 de Março

Sámkhya e Yoga são tidos como dois aspectos de uma única tradição, a mais antiga e sólida de toda a miríade de sistemas filosóficos que afloraram ao longo da história da Índia. É de extrema utilidade ao praticante de Yoga familiarizar-se com a fundamentação teórica dos exercícios, pois assim terá maior liberdade para adaptá-los às suas necessidades pessoais, ao invés de seguir mecanicamente fórmulas pré-estabelecidas. Embora a natureza do Sámkhya seja fundamentalmente especulativa, o curso está voltado para a aplicação prática e imediata das teorias, para que o praticante possa, por si mesmo, atestar sua validade.


Tópicos:

Definições e conceituação
Gunas e sua cromodinâmica
Tattvas
Karma
Vásana e Samskára

VALOR DO CURSO 95REAIS : DOIS BLOCOS DE 3HORAS ( SÁBADO E DOMINGO)

Ministrante Talles Menegon

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Ateismo do Sámkhya?

O fundamento dessa imputação de ateísmo reside provavelmente no fato de que no Ocidente a noção de Deus é inseparável da do Criador.Ora para o Samkhya,o Purusha não esta diretamente implicado na criação,se bem que a preside.A função de manifestação , de preservação,de dissolução,ao nível macrocosmico é inteiramente atribuída a Prakrti.
O Purusha permanece absolutamente transcendente,mesmo quando ligado a Prakrti e imanente ao mundo manifestado.Mas não esqueçamos os laços misteriosos que unem a Prakrti e o Purusha:posta em movimento unicamente pela sua presença,ela inaugura o movimento cosmogenico.Em todas as coisas,é pra ele que ela age.Ela desenvolve os mundos para seu prazer,e os reabsorve para sua liberação.Como uma serva desinteressada ou um amigo abnegado,ela encontra sua própria realização a serviço do Purusa.Por isso o Samkhya épico considera o Purushae a Prakrti como os dois modos de uma mesma realidade,em que um representa o aspecto estável e o outro o aspecto modificável.O Samkhya é realista ao tomar por ponto de partida a dualidade que esta na base de nosso universo manifestado.Entretanto atinge um estado que a Prakrti,como principio em evolução,não mais exista para o espírito liberado.A visão da unidade era objeto final da busca.
O"desaparecimento"da Prakrti,não explicado mas apenas ilustrado por algumas metáforas sugestivas com a dançarina que se retira ,ou da mocinha púdica que , surpreendida pelos olhares ,se esconde,recorda nos que um dos nomes da Prakriti é Maya ,a magia ou poder de ilusão.
Assim que a ilusão é reconhecida se esvanece.A Natureza é a grande sedutora que mantém todos os seres encarnados sob seu charme,sua sujeição e sua jurisdição.Quando o sujeito consciente desperta o jogo cósmico esvanece.
A Prakrti desaparece,reabsorve se,é reabsorvida no seu próprio principio,o poder da exterioridade é reintegrado no imutável, o Principio feminino é reconduzido ao principio masculino, a dualidade é abolida.restando somente a única realidade.

por Tara Michael

terça-feira, janeiro 27, 2009

resumo do Samkhya

Filosofia Samkhya
Por Joseph Le Page



Era uma vez um planeta chamado Purusha. Pode-se dizer que Purusha era um lugar perfeito, onde todos viviam felizes. Lá não havia tempo nem espaço e todos os habitantes sentiam-se absolutamente completos. O único problema do Planeta Purusha era que lá não havia espelho algum, e sem espelhos, os habitantes desse planeta não podiam ver a si mesmos e nem conhecer a si mesmos, porque em Purusha não havia a noção de separação um do “outro”.
Um dia, os habitantes do Planeta Purusha ouviram falar de um planeta distante chamado Prakriti, onde era possível conhecer a si mesmo em um mundo de dualidade, vivendo como um ser individual, cada um com sua própria identidade.
Este mundo de dualidade poderia ser percebido através dos cinco sentidos: audição, tato, visão, paladar e olfato. Ao visitar Prakriti, os cidadãos de Purusha poderiam continuar sentindo toda paz e alegria, e ao mesmo tempo também conhecer a si mesmos. Após essa jornada de investigação e aprendizagem, retornariam para casa mais conscientes de sua identidade real – cidadãos do Planeta Purusha.
Para viajar para o Planeta Prakriti, o povo de Purusha precisava de aeronaves especiais que pudessem resistir à atmosfera de Prakriti. Então, construíram aeronaves dos mesmos cinco elementos que compunham o Planeta Prakriti: terra, água, fogo, ar e espaço.
Cada aeronave foi construída artesanalmente, com características particulares que seguiam três modelos básicos chamados Vata, Pitta e Kapha.
As aeronaves Kapha eram densas e sólidas; as aeronaves Pitta eram possantes e perfeitas; e as aeronaves Vata eram leves e rápidas.
Cada aeronave era constituída de três componentes básicos: a estrutura da nave em si chamava-se corpo físico, o piloto responsável por dirigir a nave chamava-se mente, e o passageiro principal chamava-se alma, o espírito que leva consigo a essência da felicidade e completude do Planeta Purusha.
A ida para o Planeta Prakriti e a volta para Planeta Purusha seria possível somente através da integração completa de Corpo, Mente e Espírito.
Antes de sair para a jornada ao Planeta Prakriti, os habitantes do Planeta Purusha instalaram uma potente antena transmissora para que eles pudessem sempre manter contato com seu Planeta. Essa antena chamava-se Mahat, que significa “o Grande”. Cada aeronave tinha também um computador de bordo super-inteligente, chamado Buddhi, que quer dizer inteligência suprema, para garantir que o piloto da nave sempre tivesse em contato com o Planeta Purusha.
Todas as aeronaves partiram de Purusha ao mesmo tempo, mas cada uma teve sua trajetória única. As aeronaves Kapha, pesadas e lentas, seguiram a viagem em um ritmo constante. As aeronaves Pitta, concebidas para ter um desempenho perfeito, às vezes perdiam tempo em detalhes desnecessários. As aeronaves Vata fizeram a viagem mais emocionante, explorando diferentes universos e planetas, mas muitas vezes esqueciam onde tinham deixado as chaves e perdiam muito tempo procurando. Mas no fim da viagem, todas as aeronaves chegaram ao Planeta Prakriti ao mesmo tempo.
Ao se aproximarem de Prakriti, os pilotos prepararam os equipamentos e as ferramentas necessárias para a tão esperada temporada de exploração. Um conjunto de equipamentos chamado de jnanaendriyas servia para receber informações no Planeta Prakriti. Jnanaendriya quer dizer ferramentas para obter conhecimento no idioma do Planeta Purusha, chamado sânscrito. Os jnanaendriyas constituem os cinco sentidos: audição, visão, olfato, paladar e tato. Havia também equipamentos chamados karmendriyas, que permitiam que cidadãos de Purusha pudessem executar ações no Planeta Prakriti, tais como falar, se movimentar, pegar objetos, eliminar resíduos da nave, e até mesmo procriar novas “naves-bebês”. Com todos estes equipamentos, nada poderia atrapalhar a viagem de investigação e autoconhecimento no Planeta Prakriti.
Ao chegarem na atmosfera do Planeta Prakriti, as naves atravessaram uma série de tempestades inesperadas, repletas de turbulência, chamadas tempestades rajas, que quer dizer forte turbulência. Também atravessaram intervalos de calmaria, chamados tamas, onde nada se movia. Esses ciclos de rajas e tamas eram intercalados com breves momentos de equilíbrio perfeito chamados sattva, quando a viagem fluía bem, sem qualquer esforço.
Todas as aeronaves finalmente aterrissaram no Planeta Prakriti, mas a viagem foi muito estressante. A maioria dos pilotos ficou com amnésia crônica, esquecendo sua missão original de exploração e autoconhecimento. Esses pilotos ficaram deslumbrados com as experiências do Planeta Prakriti, não mais se lem-brando de sua identidade original como cidadãos do Planeta Pususha. Os sistemas de comunicação inteligentes, buddhi, ficaram enferrujados por falta de uso, e sem buddhi funcionando adequadamente, os pilotos perderam contato com a Grande Antena Mahat, e consequentemente com o Planeta Purusha.
Com o passar do tempo, os cidadãos de Purusha passaram a acreditar que eram cidadãos do Planeta Prakriti, com personalidades próprias. Passaram a pensar que estavam em Prakriti apenas para desfrutar das vitrines dos diversos shoppings, andando em círculos, consumindo combustível e reproduzindo navezinhas. Esta condição de amnésia se chamava de avidya e este círculo vicioso de avidya denominava-se samsara.
No entanto, alguns poucos pilotos continuavam se lembrando da sua verdadeira cidadania e missão. Eles eram chamados de Rishis ou videntes e tinham a capacidade de ajudar os pilotos-esquecidos a saírem do padrão de tráfego circular do Planeta Prakriti e voltarem a se reconhecer como cidadãos do Planeta Purusha. Aqueles que decidiram retornar à sua identidade original precisavam primeiro consertar suas naves devido ao estresse crônico que sofreram com o uso excessivo dos jnanaendriyas e karmendriyas.
Os reparos eram realizados em oficinas que utilizavam uma ciência chamada Ayurveda, especializada em reequilibrar os cinco elementos, matéria-prima das naves. Às vezes, os sistemas das naves estavam tão entupidos e desequilibrados que ti-nham que passar por um serviço de limpeza completo chamado Panchakarma. Depois das naves terem passado por esse tratamento completo, sentiram a necessidade de ter em mãos um manual de instruções que os guiasse no caminho de volta à Purusha. Um dos mais conhecidos e eficientes manuais de retorno foi aquele compilado por um sábio chamado Patanjali. O nome do manual chamava-se Ashtanga Yoga, um manual que continha os Oito Passos de retorno à Purusha, descritos a seguir:
Os dois primeiros passos, Yama e Ni-yama, descreviam como os pilotos deveriam se comportar na viagem de volta.
O terceiro passo, chamado Asana, era necessário para assegurar que as estruturas das aeronaves permaneceriam estáveis e firmes para que a viagem fosse confortável e segura.
O quarto passo, Pranayama, dava as instruções sobre o adequado abastecimento e distribuição de energia durante a viagem.
O quinto passo, Pratyahara, consistia em remover a atenção dos pilotos de todas as distrações do Planeta Prakriti, para que pudessem se concentrar na missão de volta ao Planeta Purusha.
O sexto passo, Dharana, estabelecia uma direção certa e contínua, rumo ao Planeta Purusha.
O sétimo passo, Dhyana, ou meditação, descrevia um estado ideal de vôo no qual todos os sistemas das naves (corpo, mente e espírito) estariam funcionando de forma integrada, guiados por Buddhi, em contato cons-tante com Mahat, mantendo de forma contínua uma comunicação clara com Purusha.
Através deste Manual dos Oito Passos de Patanjali, muitas naves puderam voltar para casa, e quando chegaram, reassumiram sua verdadeira identidade como cidadãos do Planeta Purusha, retornando para um estado de perfeita união, chamado Samadhi, o último passo.
Ao voltarem, no entanto, os cidadãos de Purusha já não eram mais os mesmos de quando haviam partido. Agora, esses cidadãos de Purusha possuíam a experiência do espelho do autoconhecimento. Eles conheceram o Planeta Prakriti, o mundo da dualidade, e então, retornando ao Planeta Purusha, tornaram-se plenamente conscientes de sua natureza intrínseca de paz e completude.
O aprendizado mais profundo dessa viagem, que é a jornada de todos aqueles que trilham o caminho do Yoga, é que Purusha e Prakriti são, na realidade, um só planeta, e que nós podemos viver a vida em estado de Purusha em meio ao mundo de Prakriti.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

se o Purusha falasse

eu não entendo ,todos os dias ele acorda e não consegue me ver
agora completamente iludido ele pensa que a Pakrtti é sua maior posse e só quer diversão
essa diversão ilusória as vezes boa outras ruins ...essa felicidade que acaba em um instante e o sofrimento eterno da perda da felicidade ...essa não é sua realidade ...sai do teatro que a peça acabou...o que vc esta fazendo ai? ...tento acorda lo todos os dias através de uma pratica chamada Yoga e, quando você parar de pensar poderá ser você !poderá me ver !!!


Sylvia Palumbo Scrocco

para entender de maneira ludica o Buddhi

imagine uma xícara cheia de chai !
quebre a xícara
olha que interessante, a xícara muda sua forma já não é a mesma ,mas o chai será sempre chai mesmo que você limpe e torça o pano, o chai esta ali, em tudo;como Purusha inabalável.
A xícara de chai é o Purusha refletindo na Prakrtti através do Intelecto ou Buddhi